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10 ABR
2018
3 motivos que levaram marcas de luxo a banir o uso de peles

Uma recente reportagem sobre o Yves Salomon, que produz peles, demonstra que o tema ainda é dividido e que existe uma parcela de clientes no mundo todo, decididos a seguir com a compra de pele natural de empresas de luxo.

Muitas marcas de luxo anunciaram que vão banir o uso de pele verdadeira em suas coleções, o que novamente trouxe a questão para a vanguarda da moda e da sustentabilidade. A Versace e a Furla se comprometeram a abandonar o uso do material nos seus produtos e se juntaram a Giorgio Armani, Michael Kors e Gucci, além de a varejistas como Net-a-Porter e Selfridges.

Muitas dessas grifes justificam a atitude com três principais motivos: avanços tecnológicos nas fabricações (que possibilita a criação de alternativas mais éticas), reconhecimento da conscientização do consumidor e de sua atitude em relação às práticas cruéis, e ter um grande plano de sustentabilidade em toda a companhia.

É claro que nem todas as marcas de luxo partilham dos mesmos valores. Uma recente reportagem sobre o Yves Salomon, que produz peles, demonstra que o tema ainda é dividido e que existe uma parcela de clientes no mundo todo decididos a seguir com a compra de pele natural de empresas de luxo. No entanto, à medida que essas grifes se adaptam às tendências modernas que moldam o mundo da moda, é necessário entender como essas mudanças podem ter consequências a longo prazo que afetem todos os níveis das políticas da companhia e das práticas de negócios.

Veja os 3 motivos que levaram marcas de luxo a banir o uso de peles:

1) Avanços tecnológicos nas fabricações



Enquanto, no passado, muitas marcas de moda usavam pele sintética, grandes companhias de luxo têm demorado mais para experimentar e evoluir no uso de materiais que imitam as propriedades tradicionais de pele verdadeira. A Michael Kors Holding anunciou sua decisão de banir o uso de peles só no ano passado. A empresa também informou que todos os itens em produção serão eliminados até o fim deste ano.

“Devido aos avanços tecnológicos nas fabricações, temos a habilidade de criar peças luxuosas com pele sintética”, explicou a companhia na época. Para marcas globais como a Michael Kors, que usou pele animal verdadeira por tanto tempo, a decisão demonstra que grandes e pequenos fornecedores são mais do que capazes de banir a produção imediatamente. A política também se aplica à Jimmy Choo, comprada pela empresa no ano passado.

A Givenchy também apresentou uma variedade de casacos de pele exóticos para o outono que pareciam reais para muitos observadores, mas eram, de fato, artificiais. LVMH, proprietária da marca, deixou a decisão de usar pele verdadeira para as próprias grifes, incluindo a Fendi, especializada em usar a combinação de pele de marta e de raposa.



2) Atitude dos consumidores diante da crueldade animal



Com organizações como o PETA e a Fur Free Alliance envolvidas cada vez mais nas práticas de negócio da indústria da moda, algumas companhias têm reconhecido seus esforços e examinado suas políticas. Esse fator, combinado com a ascensão das mídias sociais e o crescente número de usuários que se manifestam sobre a aversão ao material, pressionam mais marcas a se adequarem às mudanças de atitude em relação ao uso de pele verdadeira.

Em 2016, ao anunciar a decisão de banir peles verdadeiras, a Giorgio Armani reconheceu que a decisão estava relacionada à “atenção às questões críticas de proteger e cuidar do meio ambiente e dos animais” e que práticas cruéis com animais eram “desnecessárias”.

A marca de acessórios Furla também reportou seu comprometimento com a segurança dos animais, em resposta ao “crescente pedido de produtos éticos por consumidores que estão, cada vez mais, conscientes e atentos a esses temas”.



3) Planos de sustentabilidade das companhias



Enquanto a transparência ambiental e as práticas de negócios eco-friendly continuarem a causar polêmica, esforços de sustentabilidade se tornam mais urgentes e importantes. A implementação de planos sustentáveis em toda a empresa tem se disseminado rapidamente nos setores, e a indústria da moda, em particular, responde bem a isso. Companhias como Kering, H&M e Everlane avançaram em direção a modelos de negócios sustentáveis, mas a questão sobre se a pele sintética é realmente um material sustentável ainda causa reações variadas.

Jonathan Akeroyd, CEO da Versace, disse em um comunicado, quando anunciou a decisão de banir pele verdadeira, que esse “comprometimento é parte de um programa de inovação sustentável maior, que não só inclui o forte compromisso de trabalhar em toda a cadeia de suprimento, mas também uma profunda mudança cultural que irá beneficiar todos os funcionários”.

A Gucci também esboçou seu modelo de sustentabilidade quando fez o mesmo anúncio, ao integrar ainda mais a abordagem de que “pele verdadeira não é sustentável” às outras iniciativas ecológicas da empresa.

A Stella McCartney sempre manteve a missão de sustentabilidade da companhia e há tempos manifesta sua visão de que pele e couro fazem mais mal ao meio ambiente do que outros materiais alternativos.

Fonte: Forbes Brasil



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